Resenha: Frankenstein, de Mary Shelley

junho 04, 2026





Um clássico da literatura mundial, Frankenstein praticamente dispensa qualquer apresentação. A história do famoso “monstro” já foi retratada de muitas formas ao longo dos anos: aparece em filmes, desenhos infantis e diversas adaptações que muitas vezes dão a ele um ar mais cômico ou até fofo. Mas quando entramos em contato com a história original, escrita por Mary Shelley, percebemos que ela é muito mais sombria, profunda e reflexiva do que muitas dessas versões mostram.

Essa foi a minha primeira vez lendo a história do “verdadeiro Frankenstein” e conhecendo a origem de tudo. Uma das coisas que mais gostei nessa experiência foi justamente ter conseguido sair da minha zona de conforto literária e me aventurar em um clássico da literatura. Ler esse tipo de obra sempre traz uma sensação diferente, quase como se estivéssemos entrando em contato com a base de muitas histórias que vieram depois.


O livro acompanha Victor Frankenstein, um jovem cientista obcecado pela ideia de ultrapassar os limites da vida e da morte. Movido pela curiosidade e pela ambição científica, ele acaba criando uma criatura a partir de partes de corpos humanos. Porém, no momento em que sua criação ganha vida, Victor percebe o tamanho do erro que cometeu e passa a enxergar a criatura apenas como um monstro.

Mas o que torna essa história tão marcante é que o livro não fala apenas sobre a criação de um monstro. A narrativa também explora temas muito profundos, como solidão, rejeição, responsabilidade e as consequências das nossas escolhas. A criatura, que inicialmente surge quase como uma “tábula rasa”, acaba sendo moldada pela forma como é tratada pelo mundo ao seu redor. Isso faz com que o leitor questione quem realmente é o monstro da história.


Confesso que, antes de ler, eu esperava que o livro focasse mais diretamente na história do monstro em si. Em alguns momentos senti que a narrativa toma outros caminhos, principalmente explorando mais a trajetória de Victor e seus pensamentos. Mesmo assim, foi uma experiência de leitura muito interessante, principalmente por conhecer a obra original que inspirou tantas outras histórias ao longo do tempo.

Apesar de ser um clássico, Frankenstein ainda levanta reflexões muito atuais sobre ciência, ética e humanidade. Foi uma leitura que me tirou da zona de conforto e que, mesmo não sendo exatamente o que eu esperava, acabou sendo uma experiência incrível e muito válida.
Ler esse livro foi como voltar à origem de um dos personagens mais famosos da cultura popular  e entender que por trás do “monstro” existe uma história muito mais complexa do que imaginamos.

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